"...Fui-me reconstruindo aos poucos, cada tijolo foi colocado no lugar, mas a ferida ainda latejava com muita força dentro de meu peito, cada tijolo colocado é um momento lembrado, sei que jamais serei a mesma, pois o rio que levou os pedaços dos tijolos da parede de meu castelo, também levou minha felicidade e a minha vontade de poder ver o mundo sorrir.
Como se tanta dor não bastasse, recebi no alto de minha recuperação, uma rasteira tão grande, tão forte que demoliu os alicerces de meu castelo, dessa vez tudo foi abaixo, inclusive minha vontade de viver. Para que viver mesmo se o mundo não serviria? Para que continuar ali de pé se o que me sustentava se foi com as tempestades que eu tentei fugir e me abrigar por tanto tempo? Eu sei que a vida continua, mas são tantas feridas, tanta dor, tanta ausência... Como eu poderei, sendo menina, viver no mundo enfestado de adultos covardes e loucos para acabar de me destruir?... "
[ créditos: Valter Rios, meu mestre ]
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